Uma das partes mais difíceis do término de um relacionamento é quando esse término já começou a acontecer ao longo dele. É a incerteza se é de fato um fim, ou se é apenas uma pausa para um ressurgir ainda melhor. É incerteza se esse fim simboliza uma dúvida, um teste – Como vai ser? O que eu vou sentir? – ou se é um veredito – acabou, definitivamente. É a incerteza se o outro vai seguir em frente sem você, se o outro vai se dar conta que pode amar outro alguém e ser feliz dessa maneira, ou se o outro ainda tem planos com você, que apesar de tudo em algum lugar está disposto a te ter de volta. É difícil porque você simplesmente não sabe a maneira de seguir em frente. Aliás, sabe, sempre sabe, mas no fundo tem medo: e se eu esquecer e o outro me quiser de volta? E se eu permanecer lembrando e depois me dar conta que fiquei para trás? É difícil perceber que é quase impossível não lembrar o outro, que essa pessoa impregnou tudo à sua volta, desde a sua sobremesa favorita até uma das bandas que você mais gostava, ou filme, ou seriado, que seja. Você até tenta esquecer, mas o outro se tornou tão parte de você que para fazer isso você realmente precisaria arrancar um pedaço de si para seguir em frente. E aí é como entrar em uma guerra sem um braço, uma perna – um coração. Como lutar?
Você sabe que conseguiria, que pode superar, mas esbarra nas incertezas e paralisa novamente. E esse círculo vicioso dói. E o pior é perceber que, provavelmente, enquanto você está nele, o outro já decidiu que realmente quer viver sem você, que para o outro você agora é um passado - e só. E dói.
Autora: Nyle Ferrari
Autora: Nyle Ferrari









